Lidar com a dor / Dealing with pain

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Photo credit: Pedro Silva 

Há 8 meses que tenho dores. Dores físicas, emocionais. Dor psicológica, dor espiritual. No princípio era só um incómodo menor e só doía ao fazer certos movimentos. Mas com o tempo começou a ser mais forte e tornou-se permanente. Algo com que aprendi a viver, que se tornou parte de mim. A minha melhor amiga e a minha pior inimiga.

Neste processo, passei por diferentes etapas. Primeiro neguei. Tentei fazer a dor desaparecer, fingi que não estava aqui. Então percebi que não seria assim tão fácil, que não ia embora. Na verdade piorou, chamando cada vez mais a minha atenção, dizendo-me que não iria embora até que eu escutasse o que tinha para me dizer.

Então eu disse: “Ok, o que queres de mim?” Parei e tentei ouvir. Eu estava lá, disposta a isso, mas aparentemente não conseguia entender o que me dizia. Então a dor começou a gritar tão alto que se tornou insuportável. Percebi que era sério, e decidi então expor-me à experiência e perceber as suas mensagens. E uma nova porta se abriu dentro de mim. Uma maneira totalmente nova de olhar para dentro, de aceitar, de lidar com o assunto. Uma viagem que tem sido literalmente dolorosa, mas que me tem ensinado muito.

As coisas acontecem por um motivo e eu realmente acredito nisso. As minhas práticas de yoga e meditação têm-me ajudado muito neste processo, e ainda ajudam, porque esta viagem ainda não acabou, é apenas o início.

Gostava de partilhar com vocês o que me tem ajudado ao longo deste caminho, pois pode ajudar outros também:

1. Movimento – não parem. Eu sempre gostei e senti a necessidade de movimentar o meu corpo, fosse indo ao ginásio, ou praticando yoga, ou caminhando ou correndo. Nestes últimos anos, depois que tive os meus filhos, parei de ir ao ginásio e tenho só praticado yoga em casa. Quando a dor começou na minha articulação sacro-ilíaca e anca, eu tive que parar com minha prática diária de Ashtanga yoga e reconsiderar outras formas de movimentar o meu corpo. Descobri que parar não era uma opção porque isso significava que a energia deixaria de fluir. Então tenho tentado ir ao meu tapete todos os dias ou pelo menos 4-5 vezes por semana para respirar e mover o meu corpo. Seguindo o que o corpo me pede, libertando tensão na parte superior das costas e ombros e em redor dos glúteos. A energia flui e sinto-me muito melhor depois.

2. Meditação – parem e sentem-se com a respiração. Esta prática tem sido bastante terapêutica para mim e uma ferramenta muito importante para me manter sã. Ajudou a aliviar as flutuações da mente e a tendência para racionalizar tudo. Também me permitiu olhar dentro da minha dor e sentar com ela observando-a, em vez de reagir e tentar fugir. Como parte de uma prática de mindfulness, tem-me ajudado a viver o momento presente, uma respiração de cada vez.

3. Psicoterapia – uma ótima ferramenta para olhar para dentro. Perceber de onde vem a dor e quais são suas mensagens. Colocando essas mensagens num contexto mais elevado para que eu possa viver com elas, aprenda com elas e curar-me de todas as formas possíveis. Porque todas as dores têm algo mais para nos ensinar do que o mero aspecto físico.

4. Amor-próprio – ninguém vai amar-vos e cuidar de vocês como vocês próprios. Aprender a aceitar o meu corpo como é, com dor e tudo; amá-lo, sentindo compaixão. Tratando-me como um ser inteiro.

5. Encontrem a vossa essência – e mantenham-se conectados a ela. Aquela parte de quem eu sou que às vezes se perde no meio de estar ocupada, que é esquecida, mas que precisa de conexão. Este processo tem sido extremamente poderoso e curativo para mim.

E agora estou prestes a embarcar noutra viagem ainda, de cura e autodescoberta mais profundas. Mas sobre isso e sobre a minha cirurgia, escreverei noutra altura!

 

I have been in pain for the past 8 months. Physical pain, emotional pain, psychological pain, spiritual pain. At first it was only minor and it hurt only when doing certain movements. But then it started to crawl inside and became permanent. Something I learned to live with. It became part of me. My best friend and my worst enemy. 

I went through different stages. First I denied. I tried to make it go away, pretended that it wasn’t here. Then I realized that it wouldn’t go, it actually got worst, calling my attention, telling me that it would not go away until I listened. 

So I said: ‘ok, what do you want?’ I stopped and tried to listen. I was there, willing, but apparently couldn’t understand what it was saying. So the pain started to scream so loud that it became unbearable. I understood that it was serious and I opened myself to truly understand and comply to its requests. And a whole new door opened inside me. A whole new way of looking inside, of accepting, of dealing with it. A journey in and on itself that has been literally painful but has taught me so much. 

Things do happen for a reason and I truly believe this. My yoga and meditation practice have helped me a lot through this process, and still do. Because this journey isn’t over yet, it’s just the begining.

I would like to share with you what has been helping me along the way, as it may help you too!

1. Movement  – do not stop. I always liked to move my body, either through going to the gym or my yoga practice, or walking or running. In these last few years, after I had my kids I stopped going to the gym and only practiced yoga at home. When the pain in my SI joint/hip started I had to stop my daily strong Ashtanga practice and reconsider other ways to move my body. I found out that stopping is not an option because that means the energy doesn’t flow. So I try to go to my mat every day or at least 4-5 times a week to breathe and move my body. Following what my body asks me to, releasing tension in my upper back and shoulders and around my gluteus. Energy flows, and I feel so much better afterwards.

2. Meditation – stop and sit with your breath. This has been very healing and a very important tool to keep me sane. It has helped ease the fluctuations of my mind and the tendency to rationalize everything. It has also allowed me to look inside my pain and sit with it, instead of reacting to it. As parte of a mindfulness practice, it has taught me to live in the present moment, one breath at a time.

3. Psycotherapy – a great tool to look inside. Understanding where the pain comes from and what are its messages. Placing these messages in a higher context so that I can live with it, learn from it and heal in every way possible. 

4. Self-love – no one will love you and take care of you like yourself. Learning to accept my body as it is, with pain and all; love it, feel compassion for it. Treating myself as a whole being.

5. Find your essence – and stay connected to it. That part of who I am that sometimes gets lost in the midst of being busy, that gets forgotten, but that needs connection. This has been extremely powerful and healing for me.

I am about to embark on a bigger journey of healing and self-discovery with my upcoming hip surgery. But on that I will write another time!

 

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